segunda-feira, 25 de junho de 2007

big-bang

Sentada sobre a Pedra Fundamental da Não-existência, vagando no éter aquoso que envolve o Nirvana, a Alma um dia sentiu. Abriu seus vários olhos inexistentes,que enxergavam por todos os poros inexistentes, e sentiu tudo o que viu. Se entregou á vertigem agridoce do poço da Dúvida, imergiu na própria ânsia, e vomitou. das entranhas do Sentir da Alma, nasceram o Amor, o Medo, a Tristeza, a Paixão e - gêmeas siamêsas - a Loucura. Os rebentos, na fúria insana por sua condição abstrata, esquartejaram com as próprias mãos inexistentes a Alma-mãe debilitada. Em seguida, no arrependimento insano inerente á sua condição abstrata, choraram sobre os pedaços disformes de seu corpo inexistente, até encharcá-lo. Plantaram então a Alma na epiderme-Gaia abaixo do Nirvana, e dela brotaram sementes de alma e carne - por alguma anomalia, existente - e estas foram chamadas pessoas.



Pessoas, crias das lágrimas, sentiam, e os sentimentos, em sua condição furiosa, governaram saus vidas por muito tempo. Surgiu então o Pensar, irmão gêmeo da Alma, nascido da mutilação de sua contraparte, gerado na corrente do tempo-espaço paralelo.

O Pensar , assim como o Sentir, acarretou a criação de outros seres-não-seres. Daí surgiram o Desejo, a Guerra, a Dor e a Angústia.

Estava formado o Panteão que regeria seus servos de dentro dos mesmo, eternamente.

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