Por trás da fumaça bruxuleante do cigarro aceso, o Gato e sua pelagem castanha escorrem pelos retratos de mentes vivas e mortas, de Freud e de Nietzsche, de esquizofrenia e de angústia, de iluminados e de incompreendidos, recorta e cola num novo quadro, como um jogo de montar.
Garras e canetas, arranha traumas de infância e memórias pueris, faz sangrar correntes, vomitar fantasmas e nascer asas em seus ratos assustados. Arranca crianças de dentro de velhos baús esquecidos em sótãos empoeirados, aonde o Homem não tem coragem de entrar só. Assite queimarem as estruturas, como o gato preto viu queimar a casa com seu único olho.
Como uma velha cigana, aprendeu a lêr pessoas em formigas mortas e ouvir sonhos, dar as cartas e receber seu ouro.
O filho de Bast devora pecados e pesadelos, e sublima tinta sobre tela, sentir sobre criar. O Gato, afinal, também sente.
Gatos não chocam ovos, mas fazem mais interessante o mundo de Alice.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
O Gato de Jung
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