terça-feira, 10 de julho de 2007

Madrugada aposentada

A noite já não é mais uma criança.

As madrugadas em claro em frente ao teclado já foram mais produtivas. Já pude me sentar em frente á um monitor, ou em uma mesa de boteco,e rabiscar quilômetros de guardanapos, que depois seriam convertidos em contos, crônicas, poesias ( tá certo, talvez as poesias não fossem grande coisa) que justificavam todo conhaque que acompanhava os garranchos.

Antigamente as noitadas regadas á bebida, vagabunda ou não, e garotas, vagabundas (em sua maioria) ou não, e música, ás vezes vagabunda, mas geralmente não, tinham um quê de mágicas, místicas. Agora, elas me lembram dor nas costas e saldo negativo no banco.

Antigamente eu tocava violão em frente á uma fogueira, sentado numa pedra confortavelmente revestida de limo, e ria, ria muito. Hoje fogueiras me irritam a vista, violões parecem computadores russos e, de repente, minha poltrona de limo virou sujeira ( minhas calças nunca sujavam, juro! Ao menos não o suficiente para que me incomodasse.)

Algum tempo atrás a internet era um mundo completo, cheio de pessoas interessantes, lugares fantásticos e vídeos de sacanagem. Agora as pessoas parecem não existir mais, os lugares sumiram (da minha cabeça, não da internet) e os vídeos demoram demais tanto pra carregar que perderam a graça (ou será que eu perdi a paciência pra esperar?). Agora, minha rede virtual se resume á páginas de orkut, que só me servem como mural de recados, e este blog cheio de teias de aranha, visto por mim e mais ninguém, o que é uma sorte, pois se alguém mais lêsse isto passariam a achar qeu eu tenho alguma profundidade, o que levaria por terra minha reputação.

Os filmes qeu passavam no CineCorujão não tem mais graça. Aliás, acho que nem se chama mais Corujão! bons tempos...

E agora, com dor nas costas e entradas capilares de proporções indescritíveis, o que restam das madrugadas animadas, iluminadas com neôn, letreiros capengas, garotas, bebidas e músicas - estas últimas nem tanto - vagabundas são algumas lembranças saudosistas, um bolg fajuto e um copo de conhaque, este sim vagabundo, porém sempre presente.

E além do mais, acho que mexeram na fórmula do fumo do meu cachimbo. Mundo irracional.


A noite cresceu, se formou, casou, engordou, enviuvou, e hoje é uma velinha, calçolas e meia calça desfiada, tricô e um gato preguiçoso á tiracolo.

Mundo racionalizado.

1 comentários:

Ana Ziccardi disse...

Ok, Plínio, quantos anos - ou quantas vidas - vc. tem para se sentir tão cansado e tão encimesmado(?) assim ? Será o jazz, a bossa, o blues ou heavy metal que o deixam assim ? Eu tenho certeza de que é o jazz e a bossa. Eleja o blues, o bom e velho blues, e o rock´n roll,não tão velho, mas tão bom com a trilha sonora de sua vida. John Lee Hooker para começar ?É isso. Aos 16, eu me sentia mais ou menos como vc.e isso lá na primeira metada do século 80, já ouviu falar ? Pois é, e hoje aos 40 eu estou feliz. Rio de mim mesma, das minhas estrias, da minha barriga, das minhas neuras e de tudo mais porque descobri que os problemas, as angústias, os desejos, são os mesmos. Sabe por quê ? porque somos seres humanos e como tais somos assim, humanos. Não há tecnologia que nos modifique. Por isso, deixe estar. Somos o que queremos ser, sem que nada nos impeça. Creia nisso ! Beijos, ana Ziccardi. Nos vemos em agosto, com certeza. Mas, sem conhaque...