Quando penso em todas as partes funcionais, poéticas, belas existentes no corpo humano, me pergunto, por que Deus escolheria justamente uma costela, pedaço de osso tão inexpressivo, para criar a contraparte de Adão?
A idéia da fertilidade da mulher nas sociedades ancestrais acompanhava a figura da técnica, da intelectualidade, da magia, inevitável liderança.
Mas o homem e seus músculos, sua violência, não podia suportar o dócil poder das mãos delicadas. Criou uma Serpente para Eva, endemonizando a astúcia feminina, seu desejo do Saber.
Manchou-lhes com um Pecado original, originalmente masculino, masculinamente vergonhoso, e lhes cobriu com véus para dançar amestradas, com hábitos para rezar caladas, com aventais para sujar subservientes, sempre em silêncio, submissas, enclausuradas.
Endemonizou seu sexo súcubo, sua ciência feiticeira, sua curiosidade Pandora com a caixa dos males do mundo. Lady Macbeth, Hera, Morgana, mulheres com poder são loucas ou caprichosas sangüinolentas, assim aprendemos quando crianças.
Não é de se admirar, portanto, o temor masculino que inspira o poder nas mãos de uma mulher. Mas Joanas se travestem para guerrear, sutiãs se incendeiam, Damas de ferro lideram nações e não podemos evitar que vassouras virem computadores.
Então diminuímos-lhes salários e cargos, de modo a mantê-las afastadas de nossas cadeiras acolchoadas. Não funcionou, e só o que podemos fazer é confabular pelos bordéis e temer dentro de nossos ternos engomados, uniformes deste clube corporativo não mais suficientemente hermético.
Fornos de microondas, máquinas de lavar, secadoras automáticas, creches em tempo integral acabam com nossos pretextos cínico-diplomáticos para a manutenção da sociedade patriarcal.
Homens, nossa ciência nos traiu.
Agora rendamo-nos, o Überman caiu aos pés de Scarpins e meias de seda. Afrouxemos as rígidas gravatas para lavar a louça do jantar. Afinal, o perfume adocicado nas écharpes é mais salubre que o ocre odor dos charutos nos escritórios, e os happy-hours são muito mais felizes com os sorrisos emoldurados em batom.
Se Dionísio criou o vinho, a boca bacante lhe torna muito mais doce o sabor.
O equilíbrio se reestabelece, gradativa, porém, agradavelmente, com a suavidade que somente uma mão de unhas pintadas pode oferecer.
Nada mal para um simples pedaço de costela.
A idéia da fertilidade da mulher nas sociedades ancestrais acompanhava a figura da técnica, da intelectualidade, da magia, inevitável liderança.
Mas o homem e seus músculos, sua violência, não podia suportar o dócil poder das mãos delicadas. Criou uma Serpente para Eva, endemonizando a astúcia feminina, seu desejo do Saber.
Manchou-lhes com um Pecado original, originalmente masculino, masculinamente vergonhoso, e lhes cobriu com véus para dançar amestradas, com hábitos para rezar caladas, com aventais para sujar subservientes, sempre em silêncio, submissas, enclausuradas.
Endemonizou seu sexo súcubo, sua ciência feiticeira, sua curiosidade Pandora com a caixa dos males do mundo. Lady Macbeth, Hera, Morgana, mulheres com poder são loucas ou caprichosas sangüinolentas, assim aprendemos quando crianças.
Não é de se admirar, portanto, o temor masculino que inspira o poder nas mãos de uma mulher. Mas Joanas se travestem para guerrear, sutiãs se incendeiam, Damas de ferro lideram nações e não podemos evitar que vassouras virem computadores.
Então diminuímos-lhes salários e cargos, de modo a mantê-las afastadas de nossas cadeiras acolchoadas. Não funcionou, e só o que podemos fazer é confabular pelos bordéis e temer dentro de nossos ternos engomados, uniformes deste clube corporativo não mais suficientemente hermético.
Fornos de microondas, máquinas de lavar, secadoras automáticas, creches em tempo integral acabam com nossos pretextos cínico-diplomáticos para a manutenção da sociedade patriarcal.
Homens, nossa ciência nos traiu.
Agora rendamo-nos, o Überman caiu aos pés de Scarpins e meias de seda. Afrouxemos as rígidas gravatas para lavar a louça do jantar. Afinal, o perfume adocicado nas écharpes é mais salubre que o ocre odor dos charutos nos escritórios, e os happy-hours são muito mais felizes com os sorrisos emoldurados em batom.
Se Dionísio criou o vinho, a boca bacante lhe torna muito mais doce o sabor.
O equilíbrio se reestabelece, gradativa, porém, agradavelmente, com a suavidade que somente uma mão de unhas pintadas pode oferecer.
Nada mal para um simples pedaço de costela.
*Texto originalmente publicado no ano passado. recolocado aqui em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres

8 comentários:
Olá, meu caro.
Não tenho muitas palavras para traduzir o que sinto quando leio os seus textos, pois eles são profundos e sempre mexem comigo de alguma forma, mas tenho certeza que ninguém é o mesmo depois de ler o que você escreve.
Sucesso e prosperidade sempre Plinio.
Um grande abraço
Olá!
Vim visitar!
Adorei o texto. Profundo, sensível, tocante... Como mulher, impossível não se emocionar!
Obrigada pela sua visita no meu blog tbm!
Bjks e muito prazer!
Alessandra Raed
Plinio.. Não é preciso mtu pra descrever teu texto: fantático!!!
PHODA!!!
Mtu mtu mtu sucesso!
Valew por visitar meu blog tbm!
s2
Bjosssssss =]
Plinio, parabens!
Vc manda muito, muito bem mesmo.
Caracas, um texto melhor que o outro. Sem palavras.
Parabeeens! Mto sucesso pra ti!
Bjs!
Oi Rav, realmente é um texto fantástico!!! E me sinto feliz em fazer parte deste grande salto. Há quem nos chame de sexo frágil, mas o seu texto já diz tudo!!! Parabéns por textos tão fascinantes. te adoro
bjinhus
Thais
Olá, Plínio!
De fato, eu estava lhe devendo uma visita mais acurada ao seu blog.
É chover no molhado dizer que você tem um enorme potencial para ser um grande escritor.
Muito arguto seu texto.
Portanto, parabéns!
Abraços,
Eduardo (SPEL)
Entao, meu amor, me diga, qual seu pedaco de costela preferido ? rsrsrsrs
Postar um comentário