"A literatura não permite caminhar, mas permite respirar."
(Roland Barthes)
Nunca gostei muito de pessoas. Quando criança, acordava as seis da manhã para poder ter a casa livre das vozes humanas. mais tarde, comecei a trocar os dias pelas madrugadas. Tive amigos, mas poucos. Dos poucos amigos que cultivei na infância, a maioria, depois de adultos, conservou alguns traços exóticos, variando entre alcoolismo e esquizofrênia, com ocasionais prós-graduações em física e demais rompantes de genialidade auto-destrutiva.
Oscilando entre o anti-social iconoclasta implicante e o boêmio insuportavelmente crítico, encontrei meus melhores professores e confidentes em estantes empoeiradas. Passava férias na casa de tios e avós, trancado em uma garagem cheia de livros antigos, enquanto os primos brincavam de mocinho e bandido no quintal. Lia livros de anatomia, agronomia, política, romances, poemas, jornais velhos e amarelados. Desenvolvi uma relação de cumplicidade e reverência à palavra impressa. Por isso, o dia 23 de Abril é, para mim, mais significativo do que o Natal, o Ano Novo e o lançamento do calendário da Playboy.
Há 392 anos, em um tenebroso 23 de Abril, o mundo chorou a morte de Willian Shakespeare, Miguel de Cervantes e Garcilaso de la Veja. Nada mais justo que seja, então, este o Dia Mundial do Livro.

O primeiro livro de Shakespeare que me encantou foi “Sonhos de uma Noite de Verão”. O pai dos dramaturgos foi quem me forneceu grande parte do repertório trágico que abastece meus textos. Mas, acima de tudo, devo a Mestre Willian uma alegria muito maior do que à qualquer outro autor. Foi por uma discussão sobre Macbeth que ganhei o coração da mulher mais linda em que já pus os olhos (e as mãos, e tudo o mais...). Valeu aí, Will!
Cervantes deveria ter um feriado mundial! Dom Quixote é a mais bela e incrível história já posta neste mundo. Não existe terapia, auto ajuda ou Prozac capazes de acalentar o espírito mais amargurado ou a mente mais perturbada como faz a leitura das aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. Como marco iniciático do mundo literário, decidi há alguns anos que vou comemorar a publicção de meu primeiro livro com uma tatuagem do Fidalgo de la Mancha. Ele me ensinou que não há nada de errado em transformar moinhos em gigantes, contanto que encontremos coragem para enfiar-lhes uma lança no meio dos cornos.
Meu contato com Garcilaso foi mais tardio, mas inevitável. Sou
filho de um peruano e, se não fosse por um rompante de bom senso, meus pais teriam, no ato mais estúpido de suas vidas, me batizado Inti Raymi. A curiosidade natural me levou então a conhecer o Inca europeizado. Muito me agrada o trabalho de sonetista, mas o que me fascinou foi, de cara, a biografia incrível e a importância do poeta, tão desconhecido em solo tupiniquim. Garcilaso foi o grande elo de ligação entre o novo e o velho mundo. Ele é, em si, um tratado sociológico fascinante.
É justo que 23 de Abril seja o Dia mundial do Livro? Inegavelmente é, mas não é suficiente. Esses homens legaram à humanidade mais do que simplesmente livros. Legaram sonhos, possibilidades, ideais de amor, de dor, de liberdade. Pavimentaram a estrada em que se fez a humanidade, deram sentido à guerras e à paz. Eles e tantos outros sonhadores que, em uma mostra de infinita bondade e sabedoria, permitiram que nós, meros mortais, sentíssemos uma infinitesimal parcela do que eles sentiram, através de papel e tinta.
O Dia Mundial do Livro deveria ser celebrado como o Dia Mundial da Liberdade, da Sabedoria. Dia Mundial da Humanidade.
Em comemoração ao Dia Mundial da Mãe de Todas as Artes, vou iniciar uma série de textos sobre literatura em geral. Autores, Obras, Movimentos... Enfim, vai ser chato pra caralho, mas eu gosto, o blog é meu, então pronto. Quem gostar, gostou. ninguém paga minhas contas nem lava minhas cuecas.
Aos mestres que abençoaram a humanidade - essa corja que gasta seu tempo tricotando sobre uma menina despencando da janela ou um padre passeando de balão, que delira com a interessantíííííssima vida dos macacos do BBB e passa horas lendo (lendo?) revista Caras –, só nos resta agradecer. Nunca será suficiente a gratidão á quem fez mais do que escrever. A quem se permitiu sonhar de olhos abertos e guiou pela mão os cegos do chiqueiro.
Oscilando entre o anti-social iconoclasta implicante e o boêmio insuportavelmente crítico, encontrei meus melhores professores e confidentes em estantes empoeiradas. Passava férias na casa de tios e avós, trancado em uma garagem cheia de livros antigos, enquanto os primos brincavam de mocinho e bandido no quintal. Lia livros de anatomia, agronomia, política, romances, poemas, jornais velhos e amarelados. Desenvolvi uma relação de cumplicidade e reverência à palavra impressa. Por isso, o dia 23 de Abril é, para mim, mais significativo do que o Natal, o Ano Novo e o lançamento do calendário da Playboy.
Há 392 anos, em um tenebroso 23 de Abril, o mundo chorou a morte de Willian Shakespeare, Miguel de Cervantes e Garcilaso de la Veja. Nada mais justo que seja, então, este o Dia Mundial do Livro.

O primeiro livro de Shakespeare que me encantou foi “Sonhos de uma Noite de Verão”. O pai dos dramaturgos foi quem me forneceu grande parte do repertório trágico que abastece meus textos. Mas, acima de tudo, devo a Mestre Willian uma alegria muito maior do que à qualquer outro autor. Foi por uma discussão sobre Macbeth que ganhei o coração da mulher mais linda em que já pus os olhos (e as mãos, e tudo o mais...). Valeu aí, Will!
Cervantes deveria ter um feriado mundial! Dom Quixote é a mais bela e incrível história já posta neste mundo. Não existe terapia, auto ajuda ou Prozac capazes de acalentar o espírito mais amargurado ou a mente mais perturbada como faz a leitura das aventuras do Cavaleiro da Triste Figura. Como marco iniciático do mundo literário, decidi há alguns anos que vou comemorar a publicção de meu primeiro livro com uma tatuagem do Fidalgo de la Mancha. Ele me ensinou que não há nada de errado em transformar moinhos em gigantes, contanto que encontremos coragem para enfiar-lhes uma lança no meio dos cornos.Meu contato com Garcilaso foi mais tardio, mas inevitável. Sou
É justo que 23 de Abril seja o Dia mundial do Livro? Inegavelmente é, mas não é suficiente. Esses homens legaram à humanidade mais do que simplesmente livros. Legaram sonhos, possibilidades, ideais de amor, de dor, de liberdade. Pavimentaram a estrada em que se fez a humanidade, deram sentido à guerras e à paz. Eles e tantos outros sonhadores que, em uma mostra de infinita bondade e sabedoria, permitiram que nós, meros mortais, sentíssemos uma infinitesimal parcela do que eles sentiram, através de papel e tinta.
O Dia Mundial do Livro deveria ser celebrado como o Dia Mundial da Liberdade, da Sabedoria. Dia Mundial da Humanidade.
Em comemoração ao Dia Mundial da Mãe de Todas as Artes, vou iniciar uma série de textos sobre literatura em geral. Autores, Obras, Movimentos... Enfim, vai ser chato pra caralho, mas eu gosto, o blog é meu, então pronto. Quem gostar, gostou. ninguém paga minhas contas nem lava minhas cuecas.
Aos mestres que abençoaram a humanidade - essa corja que gasta seu tempo tricotando sobre uma menina despencando da janela ou um padre passeando de balão, que delira com a interessantíííííssima vida dos macacos do BBB e passa horas lendo (lendo?) revista Caras –, só nos resta agradecer. Nunca será suficiente a gratidão á quem fez mais do que escrever. A quem se permitiu sonhar de olhos abertos e guiou pela mão os cegos do chiqueiro.
E daquí nós continuamos fazendo Óinc!


14 comentários:
Olha só que coincidência! O meu próximo texto em espanhol vai ser justamente sobre literatura latino-americana (hispânica). Mas vai ser uma pincelada, pois é tema para várias enciclopédias.
O meu maior sonho, aliás, é ter uma biblioteca em casa, daquelas que a gente usa uma escadinha pra alcançar as prateleiras. Quem sabe um dia?
Adorei, como sempre e mais que merecida a homenagem.
Pois é, vc sabia que tinha esse efeito nas pessoas? E olha que eles já estavam histéééricos dentro da arca. hehehe
Beijão e apareça sempre!
Letícia.
Noooooooooooossa... me identifiquei imensamente com teu espaço. Sou eu, uma AMANTE incurável da literatura!
Por coicidência, "Sonhos de uma Noite de Verão" foi meu primeiro livro que li do Shekspeare, tinha uma amiga que gostava muito dele, não faz muito meu estilo, mas gostei bastante de "Sonhos de uma noite de verão", o tão marcante Lizandro.
Dom Quixote é realmente um marco, uma das maiores obras primas do universo, INCRÍVEL.
Já o Garcilaso , eu infelizmente não conheço, ainda, mas esse post me instigou a procurar me apresentar a ele.
Estou com dois livros para serem lidos, "O Idiota" do Russo que eu sou fascinada: Dostoievsky, e o tão falado "O vermelho e o Negro" de Stendhal, depois desses irei à procura do Garcilaso , tens alguma sugestão???
Voou te linkar no mue blog, realmente, amei isso aqui!
Interessante.
Desses livros, o que ja me desperta curiosidade há anos mas até hj nao tive vergonha na cara de ir atras e pegar é o Dom Quixote.
Mas ainda farei isso...rs
Abçs!!!!
Ótimo artigo! E Ótimo blog!
Parabéns!
Sarapatel de Coruja
excelente o texto, você conhece esse blog: www.mesmasletras.blogspot.com ??
zúnica...primeiro dexa eu responde o comentario,obrigado pelo comentario,o nome eu sei que é um tanto ridiculo,vou mudar,e o texto em amarelo é porque é spoiler,e como ainda não aprendi como faz aquele negocio de leia o resto,a minha escolha foi dexa em amarelo,para não estragar a supresa de ninguem!!!e novamente obrigado pelo comentario ainda não lê o seu blog,já já vou ler!!!
grande abraço tambem!!!
Querido Zunica, obrigada pela visita... quero dizer o quanto estou grata pelo comentário. Despertou algumas idéias... Quanto ao material usado nas produções, são eles bem simples, uma mistura de rústicos, com cores variadas.
Agora seu blog é de extremo bom gosto. Os textos são magníficos, as figuras perfeitas! "Sonhos de uma Noite de Verão" quem leu não esquece jamais. É meu preferido.
Voltarei mais vezes, ok?!
:)
Bjs!!!
zunica mudei o nome do meu blog....só vim te avisa!!!=P
zunica mudei o nome do meu blog....só vim te avisa!!!=P
Antes de agradecer a visita - nem sei se essas formalidades são necessárias -, afirmo que a identificação com seu blog (e texto, claro) foi imediata.
O respeito aos livros é fundamento para as boas relações. Assim penso e, então, assim é.
Shakespeare fez tudo. É a wikipedia de 400 anos atrás. Cervantes é um deus sem asas (e com elas, mas escondidas). é a dupla de criadores que citei e que vc tb reverencia, porque assim tem de ser. Há outros, naturalmente, mas esses são os criativos no keio-de-campo.
Valeu, camarada.
Fico na espera dos textos que vc promete escrever: autores, obras, movimentos. De olho estarei.
Abraço e parabéns pelo blog.
De fato.
FG
Olá Plínio, uau, adorei seu estilo de cavaleiro Cervantes em defesa dos livros! Sim, deveria chamar-se Dia da Humanidade... Os livros podem salvar uma pessoa...
Ah, e eu, com certeza, vou me deliciar com sua proposta de postar sobre literatura. Obrigada!!
Beijos.
Nossa adorei muito mesmo!
parabéns pelo blog!!
http://www.zoukbrasil1.blogspot.com
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