segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Rosa de Aquiles


Fazia frio e ventava em São Paulo
Bailaram belos calcanhares de aço
Sobre o vale de espinhos, reflexo em restauro
Anunciando a flor que brotou no asfalto


Brotou a semente de uma flor-de-(E)lis
Até desabrochar em puro grito
De orgasmo, num instante de infinito
O Nirvana dos budas ditosos
Pele tal qual brasa, metal tal qual ossos
Fúria branca e frágil, sutil fortaleza de giz

Façam completo silêncio, paralisem o poema
Admirem a flor que nasceu
Sua cor morena
Suas pétalas sorrisos

Seu nome não está nos livros
Furou o asfalto, a morte morreu

Sim, é realmente uma flor
E é linda.

10 comentários:

HenriqueM disse...

E não era uma flor virgem, não mesmo.
Mas talvez flores não durem tanto,
se for no centro e São Paulo - assim como
centros de quaisquer outras cidades.

Letícia disse...

As flores duram o tempo que devem durar. Pra sempre, nada é. Lindas todas são, principalmente as que nascem em dias frios, as tolerantes aos ventos. As que nascem no asfalto, mesmo entre adversidades.
;)

Amanda Guerra disse...

o frio deixa as pessoas tão inspiradas...tão poéticas...

queria muito ver uma flor no meio do asfalto.

Fraturas Expostas disse...

E não era uma flor virgem, não mesmo.

huahuahuahuaahuahauhaua...
mas como ele sabe? huhauhauahua
[piada interna off]

Zúnica disse...

[piada interna: reloaded]Bom, morena flor, lembra da Francisco Morato, uns anos atrás, que que eu te disse sobre isso? Tem coisa que a gente simplesmente sabe...

Roberto Casimiro disse...

Dependendo da flor, ela dura eternamente. Mas as flores imortais são artificiais, sem vida. E qual a graça de algo sem vida? Sem vida não há sentimento.

Lucas disse...

Muito obrigado pelos elogios! Foi a coisa mais entusiasmante que eu ja ouvi. Eu custumo receber muitos comentarios do tipo: "Ah. Legal". Mas são poucos os que realmente param para ler, e comentam de verdade. Alias, você tem razão. Aquela comunidade do Orkut do Blogger é um inferninho de pessoas que querem comentarios. e 80% delas só pensam nos comentarios que elas recebem.


Mas vamos ao seu post:

"Admirem a flor que nasceu
Sua cor morena
Suas pétalas sorrisos
Seu nome não está nos livros
Furou o asfalto, a morte morreu"

Seria essa o tipo de flor que pararia o transito de São Paulo, faria "o gramado" delirar?

Adorei o poema! Isso sim é talento. Alias, eu não custumo entender poemas, mas esse eu penso que eu consegui!

o'Ricci disse...

Se você já viu o filme "Teeth" (e isso *não* foi uma recomendação), vai saber o que eu pensei ao ver a foto da rosa com pregos.

O lado bom é que o poema não evocou a mesma sensação =p

Madalena Barranco disse...

Uau, que belo poema!

Plínio, fazer flores brotar no asfalto é tarefa para.. Aquiles.

Beijos - adorei.

The Ideas of a Vintage Doll disse...

Eu poderia me apaixonar por uma flor dessas...