Pesam as pálpebras, cortinas cobrem retinas. Observo a Lua, leve no céu. Leva-me leve a Lua aos céus baixos em mim, fobias, fantasias, fantasmas dançando nus o tango do delírio.
Na janela jaz a rua em paz, sem pés que passem apressados, carros rodando sem rostos atrás dos vidros escuros, obscuros robôs correndo aos matadouros pelo pão nosso de cada dia que o diabo amassa, cospe e fode. São massa, insana massa. Só, a avenida semeia lâmpadas de mercúrio, brotam vermelhos céus – de fora e de dentro. Deep red redemption when the city sleeps.
Pesam os relógios, quartzo marca-passo musicado, desesperada sinfonia monossilábica escorre a pele, os cabelos, a força, os cânceres, as saudades.
TIC, TIC, TIC, TIC, TIC, TIC. TUM, TUM, TUM, TUM, TUM,
Cardíacos acordes acordam pensamentos mortos. Anjos tortos, demônios narcolépticos, noturnos, alma fotofóbica com óculos de insônia. O resto é casca, zumbi de barba feita e sapatos polidos. Sob o sol, paletó, cartão de ponto, jornal, café, cigarros, bom dia, boa tarde, bom garoto, pega um biscoito, um graveto, um holerite, uma esposa, uma televisão.
A insônia ri no espelho. Do espelho. O rosto atrás do rosto, da máscara, ri o sorriso nicotinado do sorriso colgate. Olheiras fundas sorriem sinceros para a Lua leve que me leva, enfim, pra longe de mim. Sorrir antes que o dia nasça e tombe novamente na tumba.
TUM, TUM, TUM, TUM, TUM, TUM...


12 comentários:
Como sempre, deliciosa prosa.
Consigo montar os cenários, sentr as emoções, entender.
uma pergunta, seria vc o insône?
o mais sonoro dos seus textos...primoroso!
escreveu tudo o que eu queria ler...como se de mim saísse tudo isso, me dissesse tudo isso, e assim eu pudesse entender, acreditar, no que eu não disse, mas sinto.
Eu sinto a insonia em mim...
Adoro tudo que escreve!
Olá, meu caro
Faz tempo que não passo por aqui. Fiquei um pouco chocado com a mudança. Chocado com a beleza que encontrei nos seus textos.
Parabéns, meu amigo.
Sucesso.
Insônia é o tema da vez dos blogues. Deveria ser tema lá do "Pândega". Pelo menos já teriam uns 4 autores com o texto pronto. Eu, você, a Karen, o Casimiro.
Mas no seu texto usou figuras de linguagem que nós 3 não usamos: aliteração, assonânsia e paronomásia.
Isto deixa o texto muito bonito.
Abração
Marcelo
mó viagem! se vc um dia publicar um livro, eu garanto que compro.
abraços libertários
Consegui absorver mais sensações com o último parágrafo do que com todo o restante do texto.
E gostei do sentimento visual causado pelo efeito de escrever as batidas em tamanhos diferentes, como se fosse um ecoar, ou um afastamento.
É isso mesmo. Que seja, vida brincando com a gente, tanto melhor.
Espirais, expirais...
que insônia mais bonita, cara!
Cinzeiros que agüentem, têm feito umas lindas luas.
Beijo.
mais uma leitura, mais u sentimento novo.
abraços
Processe-me, eu sou preguiçoso!
E não tenho mais a vista de Ipanema... Agora eu sou forçado a olhar pra Niterói, do outro lado da poça. O que significa menos cerveja e nenhum topless. Goddamn it!
Insônia, acho que todo mundo já teve ou terá um dia, ou constantemente rsrs. Gostei da maneira que abordou o tema, gosto do seu rico vocabulário, da maneira que escreve.
Bjs!!!
Postar um comentário